09 julho 2012

O jardim

Foi enquanto o sol estava no seu ponto mais alto. Logo, as flores já se tinham aberto, os pássaros já cantavam as suas melodias, o solo já estava quente... Ali, tudo parecia calmo! O vento era a única coisa que se sentia e o sol a nossa fonte de vida. Cada pegada marcada era um sinal de que aquele espaço ainda era habitado por seres vivos. Nada parecia ter mudado desde o dia anterior, apenas se viam as diferenças provocadas pela erosão. Eu estava num jardim!
A minha sombra perseguia-me para todo o lado, por isso, não posso dizer me sentia sozinha. Sons de vida eram cantados e a cor natural de um jardim prenominava ali. Estava tudo como devia estar. Sozinha caminhava à volta do jardim, atravessava os limites e caminhava por cima da vida, mas tentado não a destruir. Passei por erros do Homem e consertei-os. No entanto, no meio daquele enorme jardim onde é que eu iria consertar todos os erros? Todos os dias, o vento soprava-os para ali, culpando aqueles pobres seres vivos por um crime que eles não cometeram.
Esse jardim traz-me paz. Na cidade procuro-a em todo o lado, em parques, em bares, cafés e outros sítios diversos, sempre sem sucesso. No entanto, aquele jardim é único sítio, naquela cidade, que me traz a paz que preciso. Basta deitar-me na relva fresca, fechar os olhos e imaginar-me num Mundo diferente.
Nesse Mundo eu sou a princesa de um príncipe, e esse príncipe é o príncipe dos meus sonhos. Ele não tem um cavalo branco e uma espada afiada capaz de cortar todos os metais existentes na Terra. Ele não vive num palácio rodeado de luxo e especiarias. Ele não é um príncipe dos contos de fada. Não, ele é o meu príncipe! Ele tem uma mota comprada na sucata e uma personalidade que me encanta. Ele vive num bairro problemático, mas é diferente de todos os que lá habitam, ele é humilde. Este é o príncipe dos meus sonhos, que apenas encontro lá, pois na vida real ele não existe. 
E é no final do dia que abro os olhos e retorno à vida real. Ela não é tão luminosa, tão fantástica, mas é real. E é nesta realidade que eu vivo ,por isso, há que saber lidar com ela. Mas é sempre uma tarde bem passada num jardim que abre as minhas fantasias com apenas um fechar de olhos!

03 julho 2012

O sonho que é um "sonho"

   Numa noite negra de Verão, os gritos ,provocados pelo choque dos ventos, causavam-me a falta de sono. Há duas horas que não conseguia dormir. As tentativas, para que o sono chegasse, foram as mais imaginativas, no entanto, o vento era desconfortante. Quando finalmente desisti de tentar adormecer, sentei-me. Olhei para a secretária à minha frente e reparei nos livros que estavam na mesa. Lembrei-me que ainda não tinha arrumado os livros escolares deste ano, tinha que os empacotar e guarda-los na garagem, mas ainda não me tinha dado vontade. Este pensamento levou-me a começar a pensar na escola, depois nos meus colegas e no final comecei a pensar Nele. 
   As memórias daquele Trimestre vieram-me à mente. Os olhares trocados, as palavras enviadas, os primeiros momentos juntos... Memórias que eu pensei que não me viriam mais à cabeça, mas vieram e eu, inocente, deixar-me levar por elas. Enquanto estas memórias fluíam na minha mente, o sono começava a aparecer. Mas mesmo antes de adormecer, lembrei-me daquele dia em que eu soube que ele queria começar falar comigo. Nesse momento, o meu coração começara a bombardear o sangue mais depressa, a adrenalina tinha-me subido à cabeça. Senti-me como se uma nova história da minha vida estivesse prestes a começar. Caí no sono!
   Eram 11h24m da manhã. O sol já tinha despertado há muito tempo, as lojas já tinham sido abertas, os barulhos das pessoas madrugadoras já se ouviam e a tarde estava quase abrir-se. Ainda estava cansada, não tinha dormido muito naquela noite, então, voltei a fechar os olhos. O sonho que, na noite anterior, fora o único que me lembrava, voltou-me à mente. Recordei-me dele como se tivesse sido um facto real, mas era demasiado bom para poder ser verdade. Era assim: "Numa tarde de sol, estava eu, Ele, e alguns amigos meus, na praia. Estávamos a divertir, a jogar futebol como sempre, e ninguém pensava que aquela tarde iria mudar de rumo, para mim. Quando ,finalmente, nos sentámos para apanhar algum sol, os meus amigos decidem ir à água. Eu e Ele ficamos cá em cima, pois não queríamos ir, naquele dia. Já tinham passado 5 minutos que eles estavam na água, quando Ele se virou para mim e perguntou-me: "Queres namorar comigo?". Não sei o que senti no momento, porque era um sonho, mas devo ter ficado com o coração a bater a mil. Não respondi, mas mesmo assim Ele beija-me!"
Já tinha passado 48 minutos desde que tinha acordado. Mas o sonho não me saia da cabeça, Ele não me saia da cabeça. Continuei a matutar naquele sonho, continuei a pensar nas probabilidades, que eram raras, de ele vir-me a fazer aquilo. Pensar naqueles momentos era reconfortante para mim, preenchia-me a alma. A tristeza que eu sentia pela sua ausência desvanecia, por meros segundos, e o vazio era preenchido. Levantar-me implicaria acordar do sonho, voltar à realidade que a mim me provoca um vazio, e por isso eu não queria levantar-me. Não queria sair da cama, porque isso significaria que o sonho tinha acabado!